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PRECE DE EXÚ

 

Pai permite que assim te chame, pois, na realidade, tu o és, como és meu criador.

Formaste-me da poeira Ástrica, mas como tudo que provém de ti, sou real e eterno.
Permite senhor, que eu possa servir-te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos.

Não reclamo, não me queixo porque esta é a tua vontade. Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pelas sendas tortuosas da provação.
Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante.

Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem, contudo poder negar-me ou recorrer.

Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado a exercer a descrença, a confusão e a ignomínia, pois esta é a condição que tu me impuseste. Não reclamo, senhor, mas fico triste por ver os teus filhos, que criaste à tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniqüidades que eles mesmos criam, e eu, por tua lei inflexível, delas tenho que participar.
No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sentem grande e feliz quando encontro n'algum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de     uma caridade. Aceito sem queixumes, senhor, a lei que, na tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me. Peço-te, Oh Pai infinito, que lhes perdoe.

Peço-te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.

Perdoa-os, e torna-os bons, porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do teu amor e a graça do teu perdão.

Exu  Tiriri  – Laroye Exú - 16/08/2006

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