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O PAGÉ, O CACIQUE E SUA TRIBO

 


Essas palavras foram mencionadas por nosso grande Pai Caboclo Tupinambá em data de hoje 2 de Março de 2016, em uma consulta Espiritual em nossa Tenda.

Certo dia em sua tribo, Caboclo Cacique Tupinambá assim proferiu:

Reuniu toda a Tribo como sempre o fazia, escolheu os mais espertos e ágeis Guerreiros, dando lhes uma missão:

Ao primeiro disse: Vá meu filho busque muitas folhas verdes e traga-as para mim;
Ao segundo disse: Vá meu filho pesque e traga muitos peixes para mim;
Ao terceiro disse: Vá meu filho caçar e me traga muita caça para mim;
Ao quarto disse: Vá meu filho colha muitas frutas e as traga para mim;
Ao quinto disse: Vá meu filho buscar ditos da fé em Tupã e traga os para mim;
Assim se foram seus fiéis escudeiros diante aos olhos de toda a Tribo.

Passaram dias e dias e nada de retornarem de suas missões, porquanto o Cacique Tupinambá enviou o mais confiável de seus guerreiros e lhe disse: Ide meu Guerreiro encontre teus irmãos e traga os de volta para mim!

Novamente, passaram-se dias e noites infindáveis a espreita do retorno de seus confiáveis filhos, quando então, em uma alvorada avistou-se seus guerreiros retornando de mãos vazias.

O primeiro aproximou-se e disse ao Cacique Tupinambá: Cacique, não consegui apanhar as folhas mais verdes que me pediu!

O segundo aproximou-se e disse ao Cacique Tupinambá: Cacique, não consegui pescar os peixes que me pediu!

O terceiro aproximou-se e disse ao Cacique Tupinambá: Cacique, não consegui caçar e não trouxe a caça que me pediu!

O quarto aproximou-se e disse ao Cacique Tupinambá: Cacique, não consegui colher as frutas e não as trouxe conforme me pediu!

O quinto aproximou-se e disse ao Cacique Tupinambá: Cacique, não consegui os ditos da fé em Tupã, conforme me pediu e não os trouxe!

Pasmos ficaram todos os indios de toda a tribo que em silêncio aguardavam o desfecho de tamanha desilusão ante os olhos do Cacique...

Já em avançadas horas no horizonte, o último Guerreiro enviado aproximava-se cambaleando e estupefato, carregava tudo o que fora pedido aos demais irmãos que antes dele partiram. Trouxe as folhas verdes, os Peixes, a Caça, as frutas frescas e os Ditos na Fé em Tupã, desmaiando de tanta canseira aos pés do Cacique Tupinambá. Este se agachou pegou seu Guerreiro sucumbido nos braços e levou-o até o Pajé.

Após vigília que avançou madrugada adentro, perguntou o Cacique Tupinambá a seu Pajé Urubatão: Pajé aos teus pés me prosto a observar e aguardo tuas orientações por mais árduas que as seja!

Proferiu então o Pajé Urubatão: Dê-lhes o castigo merecido por mais triste que seja, banir de nossa Tribo os cinco primeiros de forma a exemplificar aos demais tribais a forma destratada pela confiança que os depositou em nome de toda a grande Aldeia. Retire-lhes todas as paramentas dando-lhes a cada um deles um pequeno pote para consigo levarem e que jamais retornem aos olhos e do leito dessa grandiosa nação.

E ao último, mande que toda a Aldeia faça uma pajelança para que ouçam os ditos na Fé em Tupã que ele trouxe em seu pesado fardo e por seu sacrifício por todos os irmãos dessa Tribo.

Assim, o Caboclo Cacique Tupinambá muito triste, porém, fiel a seu Pajé o determinou e o fez.

Baniram-se os cinco guerreiros para sempre dos seus domínios de forma que todos assim o presenciaram. Acolheu o último Guerreiro e diante de toda a Tribo ouviu os ditos na Fé em Tupã que assim foi proferida:

“Se todo aquele que enviado foi por seu maior representante a cumprir uma missão que a faça com esmero e retorne de forma eficaz e agradável aos olhos de toda a nação, se assim ainda não agradar aos olhos de teu maior representante, retorne ante sua missão e busca ainda mais o que de me melhor provir, para contentar a todos os teus irmãos ante aos teus próprios olhos”, assim Tupã proferiu ao nobre Guerreiro durante cada missão que ele concretizava em nome de seu Cacique.

Triste pelo embuste o Cacique, olhando o luar quase que sombrio ainda podia ouvir os gritos e sentia em seu peito cair às lágrimas de seus Guerreiros banidos e, conforme suas palavras, assim sente até hoje os mesmos sintomas pela falta de seus filhos amados que mesmo traindo sua Tribo este ainda os tem como seus amados filhos a zelar por toda uma eternidade.

Refletindo...
Este é mais um gesto de nobreza de um Cacique Guerreiro que mesmo no revés de teus filhos ainda os ama e externa sua imensa preocupação com aqueles que o deixaram.

Assim aproveito para deixar nas lembranças de cada um de nossos filhos, do quão ainda devemos galgar para merecermos conhecimentos e doutrinários para prosseguirmos em nossa tão sonhada paz espiritual e com a nossa missão mor, a de levar a todas as pessoas possíveis os ditos da fé em Tupã.

Por Pai Claudair de Oxósse, seu maior representante e último Guerreiro na grande família Tupinambá.

Axé,Okê Arô,
Okê meu Pai.

 
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