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AS DUAS PLANTAS

Claudair de Oxóssi
 

As passadas eram lentas, o vento de outono já anunciava o rigoroso inverno que se aproximava, os transeuntes na grande maioria agasalhados e friorentos, pouco conversavam entre si e ainda lembravam-se do aconchego do lar, que aos poucos aqueciam os corpos gélidos pelo cair da noite.

O caminho era o mesmo, velhos conhecidos, grandes amigos, os colegas de serviço iam lado a lado rumo ao labuto diário, quase que desapercebido notaram a beira da estradinha duas pequenas plantinhas que ladeadas, estavam um pouco arcadas devido ao peso das gotas de orvalho, que vieram com a noite. Os dias somavam-se com as noites, aos poucos as plantinhas tomavam formas mais vistosas, chamando ainda mais a atenção, despertando a curiosidade de alguns dos pedestres. Era evidente e notável que surgiam duas novas plantas naquele local. E foram se passando os meses, quase que na totalidade as opiniões não divergiam. Eram duas novas vidas que ali brotou. Um fato tornou-se curioso, os comentários de duas pessoas chamaram a atenção de todos: seriam gêmeas, deviam ser germinadas ao mesmo tempo com certeza, mas um detalhe as distinguia entre si, tudo era estranho aos olhos dos humanos, pois uma das miúdas plantinhas já desabrochava suas primeiras flores, enquanto a outra parecia insistir em apenas ter folhas. O inverno castigava-as e assim mesmo suportando o gelo, venceram o frio, atingindo a primavera, e nada da segunda dar uma única flor, apenas continuava verde como a sua vizinha. Todo o dia era observada com mais freqüência pelos observadores. As suspeitas foram se confirmando, a primeira estava totalmente tomada de lindas flores e é claro era a mais admirada. O verão chegava como sempre com temperaturas elevadas, as duas pequeninas experimentavam os elogios para a primeira e os desafetos para a segunda. O fim da estiagem aproxima-se para anunciar o esclarecimento da estranheza, desde o início, ficou claro que se tratava de duas incógnitas. Em certa manhã aquelas pessoas que acompanharam o crescimento das inusitadas plantas, tiveram como exemplo e surpresa, que a primeira das plantinhas havia secado por completo enquanto a outra estava ali e continuava sem esboçar suas flores. Eis que as pessoas aglomeraram em volta das pequeninas que as observando mais atentamente deparou-se com uma dura realidade, após o ultimo de seus comentários; Alguém exclamou! Como é que pode, as duas nasceram no mesmo tempo, porque então somente uma deu lindas flores e a outra não!. A resposta veio de forma tão inusitada que deixou pasmos os expectadores. Àquela plantinha que sobreviveu, conseguiu com muito esforço entrar psicologicamente nas mentes das pessoas e passou a explanar seus sentimentos, dizendo-lhes: Pois é enquanto vocês elogiavam o tempo todo à outra planta, por ela dar flores lindas durante a primavera e o verão, ignorando-me por completa, agindo na minha quase total solidão eu me preocupava em manter o verde de minhas folhas preservando a vida, pois a minha beleza não se resumia em enfeitar vossos olhos com o colorido das flores, mas sim com a graça da minha viscosidade. Tomem como exemplo esta passagem, combinando os fatos e traduzam-nas, transformando em realidade tudo o que advir diante de seus olhos, pois eu não os tenho, mas sim o sentimento da vida e dela fazem uso para manter-me sempre viva. A beleza de qualquer ser vivo só é completa, se houver uma aliança entre todos sem distinção. Onde não podemos ignorar o próximo ou julgar alguém pelas vestes ou palavras. “Lá no intimo, a ignorância pode tingir o sentido desta vasta vida”.

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